Férias na praia é aquele negócio: rosto queimado, virilha assada, sorvete derretendo e mãos lambuzadas. Carro com toalha no banco, água no ouvido e nariz escorrendo. Ah! Como é bom o verão!
E pensar que esperamos o ano inteiro para isso. Ter um mar azul para nos acalmar. Os pais, abastecidos pelo isopor de cerveja, se deliciam espreguiçados na esteira. Os mais velhos vão para praia, mas não gostam de areia e nem de sol muito forte. Precisam pensar para entrar na água e, quando entram, não querem se molhar muito. Trocam a infinidade salgada pela latinha no ponto.
Já a criançada faz a parte dela. Logo começa a chuva de areia, o “chuá” na água, e nem venha titia sem querer molhar o cabelo. A criança é a que mais entende que se está na chuva é para se encharcar.
O sol dá as costas e finalmente saímos da água todos enrugados.
Aí, chega o momento no meio da tarde em que alguém dita uma brincadeira.
- Pessoal, vamos brincar de “Carro Meu, Carro Seu”?
A sugestão parte geralmente de alguém que já avistou um belo modelo importado dobrando a esquina. Para quem não conhece, é um passatempo bem bobinho. O primeiro carro que passa é o meu, o próximo é o seu e assim sucessivamente.
Eu até curtia, só que com a nossa turma valia qualquer "veículo", seja carro, moto ou carroça. Volta e meia aparecia uma bicicleta e eu me ferrava. Como na praia tem muitos nativos, eu tinha que me contentar muitas vezes com alguém pilotando um cavalo. E todos caiam na gargalhada. Obviamente que o cara a cavalo não entendia nada daquela algazarra criada por ele ao passar por nós.
Como pessoa andando não contava, eu sempre achava que nada poderia ser pior que um cara cavalgando. Mas, certa vez, brincando ao lado de uma construção, preparei a minha vingança. Olhei um carro vindo lá de longe. “Graças a Deus”, pensei, “dessa vez não serei o centro das gracinhas”. Entretanto, para surpresa geral, quando faltavam umas duas quadras para o bendito veículo passar pela gente e eu me aliviar, cruza o pedreiro com um carrinho de mão. Ah, daí já é demais, né! Chega de brincar disso.
Segunda-feira, 29 de Junho de 2009
Sexta-feira, 26 de Junho de 2009
Quando o cliente dorme com o Bozo
Estava lá eu totalmente atarefado com jobs até o pescoço, quando liga um cliente.
- Escuta Fulano, você sabe o que é um layout? Ele me perguntou.
Como o cliente era um dos bons, resolvi responder da melhor e mais clara forma possível.
- Um layout é uma ideia, o esboço, sem estar totalmente finalizada. Usada para aprovação do material. Após aprovar, você compra a foto / ilustração, insere o texto correto, etc.
Ele esperou um pouco e respondeu:
- Não é nada disso! Layout nada mais é que um fora-da-lei. ahahaha
Sabe quando surge aquela vontade de brincar de roleta-russa?
- Escuta Fulano, você sabe o que é um layout? Ele me perguntou.
Como o cliente era um dos bons, resolvi responder da melhor e mais clara forma possível.
- Um layout é uma ideia, o esboço, sem estar totalmente finalizada. Usada para aprovação do material. Após aprovar, você compra a foto / ilustração, insere o texto correto, etc.
Ele esperou um pouco e respondeu:
- Não é nada disso! Layout nada mais é que um fora-da-lei. ahahaha
Sabe quando surge aquela vontade de brincar de roleta-russa?
Quinta-feira, 25 de Junho de 2009
Marcas que marcaram II
Acho que poucos que vão lembrar do Parque Alvorada, ficava próximo ao Passeio Público. Nossa, tinha um trem fantasma tenebroso por si só, com os extintores aparecendo durante o trajeto.
Gostava de tomar vacina do Zé Gotinha.
Comprei a arminha de espuleta do Rambo, aquela que vinha com o silenciador e foi nessa mesma banquinha que adquiri Gudang e falei que era pro meu tio.
Quando estudava no Lins de Vasconcellos fui obrigado a ler a Droga da Obediência, apesar de não ter achado a história ruim.
Às vezes ficava com a pulga atrás da orelha tentando não me confundir com os carros Verona e Apollo e com o Pointer e Logus.
Quem nunca borrou o dedo mindinho escrevendo com caneta Kilométrica?
Ou não saboreou o refrigerante Seven Up?
E até mesmo não perdeu o sono e teve que assistir Telecurso 2000?
Fez compras no Shopping Mounif Tacla. Jogou Super trunfo ou bafo? Colecionou Tazos?
Essas foram mais algumas coisas que vivenciei na década de 90.
Gostava de tomar vacina do Zé Gotinha.
Comprei a arminha de espuleta do Rambo, aquela que vinha com o silenciador e foi nessa mesma banquinha que adquiri Gudang e falei que era pro meu tio.
Quando estudava no Lins de Vasconcellos fui obrigado a ler a Droga da Obediência, apesar de não ter achado a história ruim.
Às vezes ficava com a pulga atrás da orelha tentando não me confundir com os carros Verona e Apollo e com o Pointer e Logus.
Quem nunca borrou o dedo mindinho escrevendo com caneta Kilométrica?
Ou não saboreou o refrigerante Seven Up?
E até mesmo não perdeu o sono e teve que assistir Telecurso 2000?
Fez compras no Shopping Mounif Tacla. Jogou Super trunfo ou bafo? Colecionou Tazos?
Essas foram mais algumas coisas que vivenciei na década de 90.
Segunda-feira, 1 de Junho de 2009
A gente já chegou?
Acordo com a minha janela tremendo, por causa de um avião que voa baixo. Irritante como o assovio do giz na lousa. Fecho os olhos e tento dormir novamente.
Está muito frio e penso nos moradores de rua, que perambulam pela Nunes. Em Curitiba acredito que ninguém morra de fome, mas, das consequências do frio, tenho minhas dúvidas. Ainda não dormi e esse pensamento triste de morte volta.
A cada dia temos um novo luto. Vivemos no meio de uma gigante guerra. Um tiro soa, uma alma sobe. Um carro blindado voa. Uma garota é guardada numa mala e despachada na rodoviária. Uma criança é arremessada duma janela e um garoto é arrastado pela rua. Bombas? Para quê? Temos muita gente que já esta dando conta do recado.
Lembro de um dias desses, assistindo a um curta-metragem dos sobreviventes de Hiroshima, que agora moram aqui. Um deles comentou justificando sua vinda ao Brasil: "Vim para o Brasil, lugar melhor no mundo não tem".
O sono vem e seria tão bom acordar só quando a gente chegasse nesse tal de Brasil.
Está muito frio e penso nos moradores de rua, que perambulam pela Nunes. Em Curitiba acredito que ninguém morra de fome, mas, das consequências do frio, tenho minhas dúvidas. Ainda não dormi e esse pensamento triste de morte volta.
A cada dia temos um novo luto. Vivemos no meio de uma gigante guerra. Um tiro soa, uma alma sobe. Um carro blindado voa. Uma garota é guardada numa mala e despachada na rodoviária. Uma criança é arremessada duma janela e um garoto é arrastado pela rua. Bombas? Para quê? Temos muita gente que já esta dando conta do recado.
Lembro de um dias desses, assistindo a um curta-metragem dos sobreviventes de Hiroshima, que agora moram aqui. Um deles comentou justificando sua vinda ao Brasil: "Vim para o Brasil, lugar melhor no mundo não tem".
O sono vem e seria tão bom acordar só quando a gente chegasse nesse tal de Brasil.
Sexta-feira, 22 de Maio de 2009
ACME
O liquidificador que tenho em casa é do casamento da minha mãe, de uns 30 anos atrás. Assim como a máquina de lavar. Sim, ainda funcionam bem. Incrível, né? Mas, se for parar pra pensar, nem tanto.
Os produtos de agora são mais bonitinhos, reluzentes e cada vez mais caros, porém, são funcionais? São duradouros ou feitos com prazos de validade?
Computador? Dá pau. Celular? Estraga. Sabão em pó? É só para dar um cheirinho. Pra limpar de verdade, tirar manchas, precisa comprar Vanish.
Assistência técnica virou (e faz tempo) um ramo do mercado. Com filas e tudo mais.
Volta e meia, sinto-me como o Willie Coyote do desenho animado. Onde, apesar de sua persistência, empenho e tempo gasto, sempre está rodeado dos maravilhosos produtos ACME. Que além de tudo não possuem garantia. Entretanto, tudo realmente tem certa validade.
Aliás, até mesmo nós um dia, estaremos com a validade vencida. E quem será o vilão? Essa é fácil, o tempo. E esse, oferece garantia total.
Os produtos de agora são mais bonitinhos, reluzentes e cada vez mais caros, porém, são funcionais? São duradouros ou feitos com prazos de validade?
Computador? Dá pau. Celular? Estraga. Sabão em pó? É só para dar um cheirinho. Pra limpar de verdade, tirar manchas, precisa comprar Vanish.
Assistência técnica virou (e faz tempo) um ramo do mercado. Com filas e tudo mais.
Volta e meia, sinto-me como o Willie Coyote do desenho animado. Onde, apesar de sua persistência, empenho e tempo gasto, sempre está rodeado dos maravilhosos produtos ACME. Que além de tudo não possuem garantia. Entretanto, tudo realmente tem certa validade.
Aliás, até mesmo nós um dia, estaremos com a validade vencida. E quem será o vilão? Essa é fácil, o tempo. E esse, oferece garantia total.
Quinta-feira, 14 de Maio de 2009
Ao cubo
Tudo começou quando recebemos um job. Era para fazer um anúncio para o Rubik's Cube (Cubo Mágico). O brinquedo eu conheço há muito tempo, mas sinceramente eu ainda não tinha visto nenhum anúncio referente a ele, confesso que também nunca procurei.
É o brinquedo mais vendido no mundo, com mais de 900 milhões de unidades, existe mais de 43 quinquilhões de combinações, ganhou vários prêmios e tem mais uma montueira de números grandes para descrevê-lo.
Em primeiro lugar acho interessante relatar alguns fatos pessoais. De todos os brinquedos que eu conheço e brinquei, o cubo mágico foi o único que eu sempre detestei. Tanto, tanto, tanto, que eu poderia resumir dizendo: detesto³. Se por acaso eu ganhasse um desses, encararia como um presente de grego. Além de, é claro, passar pra frente no primeiro inimigo secreto que aparecer. Daí você me pergunta: mas por que tanto ódio do cubo?
Pois bem, é um brinquedo no qual não se pode mudar os níveis de dificuldade, por exemplo: fácil, médio ou difícil. Ele pra mim fica no super difícil, enquanto para alguns é facinho, facinho. Isso demonstra que eu perco pra mim mesmo. Acho que minhas mãos acabam sendo mais rápidas que o cérebro.
O outro motivo é óbvio: nunca consegui montar. Pessoas batem o recorde montando em 7 segundos, eu em mais de 23 anos e ainda nada. Talvez se eu fosse mais insistente até conseguiria. E olhe só, se você procurava um estímulo, em apenas uma semana consegui montar um lado inteiro! (óóóh!)
Quando via os anúncios sobre o produto dizendo que ele é foda demais, não me encorajava. Eu sei que é difícil pacas, não é necessário estampar isso na minha cara.
Para fugir desse conceito, fui por outro lado, incentivando o cara a querer conquistar essa façanha. Demonstrando que grandes desafios só são superados com muito esforço, lembrando que no fim vale a pena.
Pelo menos no final das contas ele faz jus ao nome, se o cubo mágico aparece pra mim eu faço ele sumir rapidinho. Batendo qualquer recorde. Ou em qualquer parede.
Confira o anúncio clicando aqui.
É o brinquedo mais vendido no mundo, com mais de 900 milhões de unidades, existe mais de 43 quinquilhões de combinações, ganhou vários prêmios e tem mais uma montueira de números grandes para descrevê-lo.
Em primeiro lugar acho interessante relatar alguns fatos pessoais. De todos os brinquedos que eu conheço e brinquei, o cubo mágico foi o único que eu sempre detestei. Tanto, tanto, tanto, que eu poderia resumir dizendo: detesto³. Se por acaso eu ganhasse um desses, encararia como um presente de grego. Além de, é claro, passar pra frente no primeiro inimigo secreto que aparecer. Daí você me pergunta: mas por que tanto ódio do cubo?
Pois bem, é um brinquedo no qual não se pode mudar os níveis de dificuldade, por exemplo: fácil, médio ou difícil. Ele pra mim fica no super difícil, enquanto para alguns é facinho, facinho. Isso demonstra que eu perco pra mim mesmo. Acho que minhas mãos acabam sendo mais rápidas que o cérebro.
O outro motivo é óbvio: nunca consegui montar. Pessoas batem o recorde montando em 7 segundos, eu em mais de 23 anos e ainda nada. Talvez se eu fosse mais insistente até conseguiria. E olhe só, se você procurava um estímulo, em apenas uma semana consegui montar um lado inteiro! (óóóh!)
Quando via os anúncios sobre o produto dizendo que ele é foda demais, não me encorajava. Eu sei que é difícil pacas, não é necessário estampar isso na minha cara.
Para fugir desse conceito, fui por outro lado, incentivando o cara a querer conquistar essa façanha. Demonstrando que grandes desafios só são superados com muito esforço, lembrando que no fim vale a pena.
Pelo menos no final das contas ele faz jus ao nome, se o cubo mágico aparece pra mim eu faço ele sumir rapidinho. Batendo qualquer recorde. Ou em qualquer parede.
Confira o anúncio clicando aqui.
Terça-feira, 12 de Maio de 2009
O lado de lá
A janela é transparente justamente para se ver o outro lado. Deixar que você veja o que está perdendo. Janela fechada não deixa o vento soprar e embaraçar os seus cabelos. Não refresca seu rosto, não uiva em dia de ventania, nem assopra sua sopa. Porém, te mostra algo invisível, mesmo diante de seus olhos: o vento.
Mas vento é muito mais presente numa janela aberta. Para o vento não importa se está sol ou chuva. Ele arrasta nuvens no céu e cria outras de pensamentos. Constrói seus próprios desenhos. Está em todo lugar, ao mesmo tempo. Se você ignorá-lo, ele levará sua folha para longe, sacudirá árvores ou te arrepiará ao sair da piscina, só para ganhar um pouquinho de atenção.
Tem dias que dá raiva do vento. Quando ele te faz lacrimejar ao espirrar areia em seus olhos. Ou até mesmo quando o dia não está frio, mas ele faz questão de deixar. Entretanto, uma hora ou outra você sente sua falta. No abafado da praia, ao ver sua pipa no chão sem levantar voo, ou até mesmo quando uma menina passa de saia leve.
Quantas vezes você não ligou o ventilador e ficou de braços abertos na frente dele matando saudades do vento? Dizendo apenas: aaaaah!
As persianas se fecham e volto aos meus pensamentos. Deixo a janela com uma frestinha aberta para ele poder entrar quando quiser.
Mas vento é muito mais presente numa janela aberta. Para o vento não importa se está sol ou chuva. Ele arrasta nuvens no céu e cria outras de pensamentos. Constrói seus próprios desenhos. Está em todo lugar, ao mesmo tempo. Se você ignorá-lo, ele levará sua folha para longe, sacudirá árvores ou te arrepiará ao sair da piscina, só para ganhar um pouquinho de atenção.
Tem dias que dá raiva do vento. Quando ele te faz lacrimejar ao espirrar areia em seus olhos. Ou até mesmo quando o dia não está frio, mas ele faz questão de deixar. Entretanto, uma hora ou outra você sente sua falta. No abafado da praia, ao ver sua pipa no chão sem levantar voo, ou até mesmo quando uma menina passa de saia leve.
Quantas vezes você não ligou o ventilador e ficou de braços abertos na frente dele matando saudades do vento? Dizendo apenas: aaaaah!
As persianas se fecham e volto aos meus pensamentos. Deixo a janela com uma frestinha aberta para ele poder entrar quando quiser.
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